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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Escrever o sonho

Poema de Tarso Correa,



Escrever o sonho



O tempo passou e não tive tempo para o tempo,
Trabalhei desde menino, abraçado ao cabo da enxada,
Brigando com a terra ressecada,
Maltratando minha alma magoada;
Acordava com a noite banhada pelo relento,
Pegava minha matula e ia para o campo,
Ganhar meu sustento, cantando meu pranto;
É, o tempo passou e hoje com as mãos tortas e calejadas, visão embaçada,
Aperto o lápis tentando expelir as letras,
Que teimam em sair tremidas no papel,
Como hieróglifos ininteligíveis, garranchos sofríveis;
Sou um cego que vê o mundo e não entende,
Nos neons e outdoors,
De vários tons e sons;
Sou dependente neste mundo restrito, menor;
Hoje, quero ser e ter um mundo maior,
Deixar o obscuro , saltar este muro,
Ser acessível,
E, tornar meu sonho possível.
















segunda-feira, 3 de novembro de 2014

sonhos calejados


Poema de Tarso Correa




Sonhos calejados




Cativo suburbano,
Zumbi do cotidiano,
Pula da cama abraçado pela noite,
Veste suas roupas surradas pelo tempo,
Prepara-se para mais um dia costurado pelo açoite;
Embrulha sua marmita de arroz, feijão e ovo,
Ajeita seus sonhos puídos pela agonia,
Desce o morro, mistura-se ao povo;
Empurra e é empurrado para dentro de caixas de lata,
Que ziguezagueiam pelo ventre da cidade,
Que indiferente o recebe com sua ambiguidade;
Passa o dia, passa as horas amarrotadas, suadas,
Espremidas em um galpão;
Lutando por um ideal, muito mais que um pedaço de pão;
Mas o sol, cansado da rotina,
Fecha os olhos, apaga a tua luz da retina,
Imprimindo suas sombras nas sombras do pensamento do operário,
Que acomoda sua dor, banhada pela cor,
Do trabalhador sonhador.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Rasgar Horizontes


Poema de Tarso Correa


Rasgar Horizontes



Sou um desajustado, desequilibrado, desarmonizado;
Permito-me evoluir,
Não criar raiz no cotidiano,
Mudar, trocar os panos,
Desconstruir,
Sempre seguir;
Sou um ser mutante, inconstante,
Totalmente errante;
A cada passo uma conquista,
A cada conquista uma troca de pele,
Que me expele, impele,
A um novo mundo,
No qual me fecundo;
Não carrego o fardo do medo,
De um acerto ou um erro,
Não guardo segredo;
Só quero ser amplo ser pleno,
Nada mais nada menos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Caminhar Vesgo

Poema de Tarso Correa



Caminhar vesgo,



Entre o certo e o contraditório,
Prefiro a dúvida, o caminho torto;
Nem céu ou inferno, só meio termo, basta o purgatório;
Não quero nada pronto, construo meu caminho,
Trançando os pés, buscando meu porto.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Abraços de Chumbo

Poema de Tarso Correa


Abraços de chumbo


São paredes que se fecham,
Sombras que me envolvem,
Angústia que me agasalha,
Coração que dispara;
Pensamento em turbilhão,
Afogado em ansiedades,
Sentindo o peso da realidade,
Perdido na multidão,
Sozinho na cidade;
Corpo a latejar,
Lavado por vapores de suor frio a gotejar,
Olhos a lacrimejar,
Sensações materializadas em grilhões,
Que me imobilizam em um mundo de incisões,
Em que a moral é escrita em pichações,
Por mãos e mentes em síncope;
São medos que me acompanham,
Que me envolvem e banham,
Mergulhando-me neste pânico,
Enclausurando-me neste cubículo tirânico.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Espelhos foscos


Poema de Tarso Correa


Espelhos foscos


A tua verdade,
Espelho opaco a não refletir,
A tua realidade, visualizada, tateada, sentida, sofrida,
Vaga veracidade;
Posse de todos,
Cegos, mas não mudos,
Que tolos pregam a única verdade,
Realidade míope de pobres surdos,
Que gritam mas não ouvem;
Rastejam no espaço limitado dos seus limites,
Tateando a pequenez da tua certeza engaiolada,
Humilhados pela dúvida dos que não creem,
No dogma da sua veridicidade violada.
Querem impor sua vontade,
Como única e irrevogável,
Simples coletânea de retalhos
De pobres espantalhos.

sábado, 7 de junho de 2014

Realidade Fragmentada

Poema de Tarso Correa


Realidade Fragmentada


Tem horas que não sei se estou a sonhar ou acordado,
Em transe ou se sou uma fantasia real,
Amarrada, atada no tempo que se passa,
Nesta viagem estática a caminhar sem sair do lugar;
Tudo se mistura e consome nesta dúvida letal;
Serei uma utopia, uma criação de uma demência?
Só restam dúvidas que nem sei se realmente existem;
O que sou? Quem sou?
Eu existo ou sou um reflexo, um eco desconexo;
E, mais além, eu sou eu ou você;
Neste espelho fosco em que mergulho,
Salto no vazio, neste precipício,
Em que formas físicas se misturam e se dissolvem;
Tento me desatar, me encontrar;
Descascando, desembrulhando minha alma,
Escalando os muros deste hospício,
Rasgando a alma neste suplício,
Navegando entre o real e o figurado,
Costurando o meu eu multifacetado.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Laços

Poema de Tarso Correa

Laços


O trançar dos braços,
No nó do abraço,
Calor de receber e dar,
Ato do amor, simplesmente trocar, tocar;
São laços que se fundem,
Carinhos que nos unem;
É expressar sem falar,
É a síntese dos sentimentos sentidos,
Na simplicidade do envolver,
De só querer,
Querer te querer.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

presença

Poema de Tarso Correa




Presença




Desde quando nasceste, caminho ao teu lado,
Não cobro de ti carinho, afago ou indiferença,
Sou apenas a tua sombra, a sua eterna presença;
Estou ao teu lado nas tuas alegrias e nas tristezas,
Na letargia da solidão, nos encontros, na multidão;
Presencio os estágios do teu caminhar,
A necessidade da autoridade,
A rebeldia da juventude,
A decrepitude na velhice;
Caminho ao teu lado,
Nos primeiros passos,
Na primeira conquista,
Na primeira lágrima,
Na primeira perda;
Estou a teu lado.
Aguardo o teu tempo,
Que pode ser rápido ou lento,
Para dar-te a mão e seguirmos em outra direção;
Sou aquela que primeiro te acarinhou,
A que lhe deu o sopro da vida,
Este hálito tênue e cálido,
Que escoa rápido como uma chuva fina,
Por entre as calçadas do infinito,
Refletindo cenas na nossa retina,
De um mundo circunscrito.
Sou sua eterna enamorada e consorte,
Sou simplesmente a morte.

segunda-feira, 21 de abril de 2014


Poema de Tarso Correa




A minha pele é negra,
A tua alma é negra,
A minha alma é branca,
Branco é o teu sorriso de escárnio.
Meus sonhos são coloridos,
Seu caminhar é sofrido;
Meus pés levitam sobre a trilha que deixas,
De colágenos de pruridos.
A tua indiferença, é indiferente
É ausente no meu presente;
Não te sinto, não te pressinto.
Rastejas na tua pequenez,
Na ilusão da embriaguez do teu preconceito,
Cavas teu leito, tua tumba.
Pobre alma afogada na mesquinharia,
De tua própria agonia.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

correntes de ácido

Poema de Tarso Correa


Correntes de Ácido


Nas esquinas da madrugada,
Escondidos nas sombras da sociedade,
Nas curvas da hipocrisia,
Sob a luz amarela dos pelourinhos,
Criaturas da noite metamorfoseadas,
Desnudam suas almas peladas.
São dores contidas,
Salgadas pela maresia dos falsos carinhos;
Segredos engolidos, tragados,
Lavados por lágrimas secas.
Vida amarrada, apequenada, atalhada.
Rostos pintados, cores fortes, a esconder o olhar triste,
A marcar o caminho não seguido.
A constante presença da morte.
O corpo a venda, denegrido, puído,
Perdido nas dobras do relógio.
A alma sangrando, rasgando,
Dois seres em um, perdidos a se distanciar;
Buscando a afirmação, o necrológio;
Mas, só o que lhe resta, nada mais que a solidão,
Nem sentimentos ou razão,
Só o vazio, o frio da noite,
O açoite da indiferença,
A concretude da sentença.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

castidade puida


Poema de Tarso Corrêa



Castidade puida


O gosto frio do metal da navalha,
Deixa na boca o amargo sutil da presença da morte,
O talho, o corte;
É a inocência que tomba,
Deixando para traz o cadáver dos sonhos,
Caído na lama podre da cruel verdade;
O sangue quente da ingenuidade escorre e talha,
Nas impurezas do concreto que lhe consome.
É a fome,
É o medo,
A marginalização, o degredo.
A pipa dos encantos cortada pelo cerol letal,
É engolida pelas bocas do vento mortal,
Deixando ânsia do vômito
Regurgitado pelo gosto do etanol da realidade.
Resta um vago lampejo da pureza,
Que lá do fundo, buscando o ar mais puro,
Recusa a verdade despida,
Sugando o seio da fantasia perdida.
Não tem mais jeito, é apenas o fibrilar, o recusar a aceitar,
O pesadelo, a desenrolar como um novelo,
Da promiscuidade humana,
A materializar-se em atitudes insanas.
É o fim, a despedida, um bater de asas da inocência,
Que se apagou sem clemência.

domingo, 6 de abril de 2014

Pés tortos

Poema de Tarso Correa



Pés tortos


O menino da periferia,
Conseguiu o que queria,
Sobrevivendo aos preconceitos,
Com sua carapinha oxigenada.
Driblou a vida,
Entortou os nãos,
Usou os pés e não as mãos,
Incorporou o sonho,
Concretou o passado,
A fome, as drogas e a morte.
Abriu a porta encarou a sorte,
Deixou a página virada;
Só quer o presente,futuro e uma loura oxigenada.
Tem o verbo nulo,
O pensamento travado;
Nos pés a magia, que contagia;
O que importa são seus dribles delirantes.
Para ele, a mídia nauseante,
Cordão de ouro, carro importado, dinheiro e fama.
Quer tudo e não vê nada.
Virou um deus degenerado,
Não amado, invejado, temido, querido por um tempo limitado.
Quer tudo e não vê nada.

sábado, 29 de março de 2014

Reviver

Poema de Tarso Correa

Reviver


Quando olho nos teus olhos,
Nublados pela catarata,
Descortina na minha frente,
Toda história de uma vida.
História costurada com fios de ouro e prata,
De alegrias e dor,
Conquistas e dissabor.
As tuas mãos marcadas,
Pelas rugas do tempo,
Cruzadas no colo,
Contam nos dedos alguns contratempos;
Que passaram rápidos,outros lentos,
Com calor e sabor,
Todos,dissolvidos no amor.
O teu silêncio suado,arrastado,
Pautado na cadência da cadeira de balanço,
Marca no acorde das lembranças,
O renascer da criança.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O silêncio de um grito

Poema de Tarso Correa de 26/03/2014


O Silêncio de um grito



O pequeno menino, rotulado, marginalizado,
Com os pés descalços, espalmados na realidade cruel do asfalto,
Enfrentando rostos de cera com a dureza do cobalto,
Corre pelas veias pulsantes da cidade,
Desafiando a tirania social e a ácida verdade.
No sinal vermelho, em cada esquina, no desespero dos minutos,
Dentro de bolhas de vidro e metal,
Homens enclausurados, algemados aos seus relógios,
Levam a sua rotina letal.
A incômoda e agressiva presença do pequeno gigante,
A mostrar a nossa degradação, exposta no dorso nu do pivete,
Corta a nossa dignidade a golpes de canivete,
O pequeno, com o vazio do estômago, torna-se um guerreiro beligerante,
A nos empurrar gotas de sonho solidificadas em bala,
Que nos abala, entala e cala,
E, numa fração de segundos, naquele rosto magrelo, estampa-se um sorriso cheio de dentes,
Que nos leva de volta a nossa vida contundente.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Agudar

Poema de Tarso Correa



Agudar


Para os males do corpo,
Tem como remediar.
Pressão alta Captopril,
Atacado por bactérias, Amoxicilina,
Falta de ar, Aminofilina,
Ou se desespera com coceira na cabeça, não se padeça, Sulfiram.
Caso tenha medo do mundo, o melhor é Citalopram.
Para tantos outros males pode ser: Atenolol, Diazepam,Letrozol, Lorazepam, Nistatina, Dioxina, e por ai vai.
Mas se o mal é da alma,
Ao amor não correspondido, perdido,
O jeito é ter muita calma.
O que importa é o amor,
Ele não pede troca, nem volta.
Simplesmente se permita;
Chorar, chorar até acabar as lágrimas,
Até ficar sem ar.
Pânico? Não cabe neste momento;
Mantenha o desespero na quietude,
O ardor do tormento abafado na sua amplitude.
Seja maior, seja mais;
O que importa é o amor,
O calor que ele é,
O valor que ele tem.
Ame e seja intenso,
Seja grande, seja denso,
Seja o universo,
Disperso no todo, concentrado no tudo,
Associado na magnitude do agudo.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sociedade cega


Poema de Tarso Correa


Sociedade cega


Cresceu sobre um teto de lona,
A brincar com latinhas,
Pulando canaletas de esgoto,
Que desaguam na sua vida fétida;
Sem oportunidades, sem comida, sem terra...
Assim quem não erra?
Vai para a rua cheirar acetona
Sua irmã para a zona.
Cidadão sem cheiro – inexistente,
A vagar no nada, vendedor de farinha....
Sem comida
Sem terra,
Assim quem não erra?
Segue sua vida como um filme escroto,
Se matando e matando e morrendo....
A triunfar nas nulidades da sociedade.
Sem comida,
Sem terra
Assim quem não erra?
A vida passa, a vida voa,
E o menino zumbi inexistente,
Vira gente, vira estatística,
Primeiro passo o necrotério,
Acaba tudo no cemitério.
E assim termina a festa.
Sem comida,
Sem terra
Assim, quem não erra?

segunda-feira, 17 de março de 2014

O grito sussurrado

Poema de Tarso Correa


O grito sussurrado


Bactericida,
Formicida,
suicida,
Fungos,
vírus e bactérias,
Vários mundos.
Aquilo que não se vê,
Não é sentido, incompreendido.
São mofos criados na mente,
De quem não sente,
De quem oprime, não se define.
A queda no vazio,
Um aperto na garganta,
Um grito de socorro,
Silencioso como o cio,
Cala-se no eco da ditadura,
De um sorriso frio estampado nos dentes de louça da dentadura,
Como um gelo a derreter,
No sal da indiferença,
De quem já traz a sentença.

domingo, 16 de março de 2014

Mais que carne e ossos....

Poema de Tarso Correa de 07/10/1993.


Mais que carne e ossos......luz

Meu corpo é uma síntese de carne,
Que caminha para o macrocosmo a putrefazer.
No seu destino lúgubre a evoluir,
Percorre caminhos a ruir,
Que deixam as raízes materiais a cremar.
São passos silenciosos no escuro da noite do infinito,
Que perdem no sentimento de um grito,
Que passa sem alarde,
Da dor contida, da vida vivida.
Das mazelas que deixo,
Ficam luzes tênues a borbulhar,
No suor a exalar,
Do sorriso, um friso no olhar.

Seguir.....

Poema de Tarso Correa

Seguir.....


Nas pétalas da evolução da vida,
Formei a flor do meu destino;
Com os espinhos, marquei o meu caminho.
Sigo em frente, caminhante errante,
Mariposa bruxuleante,
A vaguear no ar;
No ar dos meus pensamentos,
Que ora, e outrora
Foram meu carrasco, meu tormento;
Agora, despojo-me deste pesado manto,
Rasgando estas vestes de amianto,
Alçando o voo dos pássaros celestes
A beijar o infinito.

Dualidade

Poema de Tarso Correa

Dualidade


Vamos todos de mãos dadas,
Nas noites caladas,
Procurarmos o perdido,
E sermos nós mesmos sem nunca termos sido.
No escuro nós olharmos,
Sem medo, nem segredo;
Se possível falarmos,
Sem falsidade, somente a verdade;
Felicidade? Talvez depois,
Pois todos nós somos dois.
Dois lados, duas pessoas;
E nesta dualidade, o homem voa
Sem ser ou deixar de ser
Somente ele intenso e impar
Simplesmente único ........singular,

Pegadas

Poema de Tarso Correa


Pegadas.

São gritos vazios,
São palavras soltas,
Que vagas, levadas na vaga do tempo;
Que lento, segue e se aprofunda,
No âmago do ser;
Que no fim do seu sono,
Acorda para ver,
O que passou,
O que deixou,
O que ficou;
Como um simples sinal
Nada mais, que um simples final.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Mãos

Poema de Tarso Correa de 14 de março de 2014.



Mãos



A mão que acaricia,
Pode ser a mesma que agride, que intimida;
Pode ser afeto, afago ou pura malícia.
No tato dos fatos, perdidos nos boatos
A mão vira ação,
Uma explosão, um átimo perdido sem razão.
A mão pode ser trabalho ou puro ócio,
O poder da criação ou simplesmente inação.
A mão é a prece daquele que crê,
Que busca no sacerdócio,
A verdade, a sua verdade,
A desculpa amiga da consciência, sem maldade,
Apenas anuência.
A mão, poder de manifestação,
Ato de imposição ou ato que silencia, acalma,
Afaga a alma;
O poder maior da humildade.
A mão pode ser o adeus, a despedida,
O apertar no peito a saudade sofrida, contida;
Ou pode ser o encontro, o aperto que une,
O laço do abraço, o aconchego.
A mão pode ser a timidez, escondida, reprimida, suada, tremida,
Sem lugar, perdida.
Ou pode ser o sorriso largo no aperto das mãos que se tocam, fundem,
Nas alegrias expandidas incontidas.
A mão pode ser a inércia da vida,
No instante final trançadas no peito,
No ato do adeus.
A mão,
Expressão nas trocas,
Mostrando os caminhos,
Na rede dos desalinhos,
Os meus e os teus.

Pensar, pesar

Poema de Trso Correa


Pensar, pesar....



Meu corpo roto se desbota,
A cor se esvai nas rugas,
Que o tempo teima em deixar;
A virilidade se desvai nas fugas do devaneio,
O pensar no nada que afaga os meus cabelos prateados;
A ondular meus olhos vazios.
Seguro em finos fios,
A lembrar dos desvelos que tive;
A rodar em minha retina,
Como uma tela fina,
O que sobrou da minha obra prima?????
O tempo me arrasta, me enverga;
A gravidade me soterra,
Meu caminhar torto, vago e lento;
Espera só momento,
De voltar aos teus braços.

terça-feira, 11 de março de 2014

Espelho de luz

Poema de Tarso Correa de 13/09/2000


Espelho de luz


Luz plasmada,
Gotas de ar solidificada,
Vibrações em um corpo de neon,
Boca , ventre e alma;
Energias convexas a procriar;
Cópias de Deus a modelar,
Imagens de barro embrulhadas em papel crepom.
Tu és cocriadora
Espelho divino, simplicidade no complexo,
Que tange e passeia no tempo como se não tivesse nexo,
Seguindo um hino, um destino.
Alma, corpo e luz
Energias convexas a procriar;
Somos todos teus filhos, como energias côncavas a girar,
A subtrair, a pedir...
Que seja sempre mulher.

Tempo arrastado

Poema de Tarso Correa de 01 de julho de 2013.

Tempo arrastado

Chão de terra, casa caiada,
Sino dobrando, beata rezando.
No adro, o burro pasta arrastando a cangalha.
No bar, viola geme, tem pinga no copo;
Sinhô sentando no toco, pitando seu cigarro de palha;
Conversa fiada, riso contido com graça
O tempo não passa e a vida se arrasta.
Sino dobrando para a missa chamando.
Dia que termina, neblina na serra, suor da terra.
Noite que se anuncia, céu de turmalina;
Sino dobrando para a missa chamando.

domingo, 9 de março de 2014

Talvez, sim e não

Poema de Tarso Correa de 16/01/2007


Talvez, sim e não.....


Entre o sim e o não,
Talvez o não seja a razão de todo sim;
Ou o sim seja o início de todo não;
Para quem quer o que não pode, pede o que não quer.
O que quer é um sim, a caminho de um não.
Um talvez, quem sabe um sibilo de um sim
Perdido na frenética vazia de que não sabe o que não pode ser.
E, transforma o ato no gesto do não.
Um sim manietado, manipulado;
Um sim castrado, pelado, suado,
Na vergonha de um som arrastado.

Eu,.......vida

Poema de Tarso Corrêa de 12/01/2007.


Eu,......Vida

A vida é tempero, pimenta malagueta ardida,
Vermelho em brasa,
Refresco de menta, é pura birita, de porre longe de casa.
É para ser vivida, sentida, pode até ser sofrida;
Cabe a nós deixá-la colorida.
Que venha dia após dia
Da cor que vier, do modo que quiser,
Eu quero cada vez mais sugá-la até querer mais e mais.
Quero entranhar no teu útero, que úmido me aquece, me arrefece.
Sei que sou camaleão, transmudo de cor com a situação.
Tem dias que sou verão, outros sou inverno..... inferno?
Mas sempre vida, vida.................vida.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Asas

Asas

Poema de Tarso Correa 02/02/1980

Podem prender meu corpo,
Mas não prenderão meu pensamento;
Que de mim faz um caminhante,
E alivia este tormento;
Viajo pelas palavras e caio em incógnitas,
Segredos vivos, vivos e mortos;
E nas pessoas me encontro.
Neste encontro de hipócritas.
Nas linhas da mente,
Voo e revoo, um voo rasante,
E vem uma alegria infinita,
De ser livre e amante
Dos pensamentos que minha alma grita, grita, grita.

Plural

Plural - poema de Tarso Correa de 17/01/2008

Sou bambu,
Flexivel ao vento;
Sou chuchu,
Para qualquer tempo;
Sou doce como caju,
Venenoso como surucucu;
Sou pau para toda obra,
Sou obra para qualquer momento,
Sou assim, sou assado;
Sou de um lado, talvez virado;
Sou do avesso ou do contrário,
Sou um nada e o tudo
Tudo junto e separado
Assim......eu

Passos

Passos - Um poema de Tarso Correa de 06/09/2013

A vida é uma senhora engraçada,
Que brinca com os sonhos da gente;
Acreditamos que controlamos os próprios cordames,
Enquanto nos traz todos amarrados em arames;
Pobre boneco, um simples fantoche.
Somos levados por nossas próprias escolhas,
A brincar, brigar com nossos sentimentos,
A cada escolha malfadada,
Que embaralha a nossa mente;
Enxames de pensamentos.
Bobos, tolos sem rumo e nexo,
Tudo parece complexo, um grande sofrimento;
E num instante, um reflexo, uma parada no relógio do tempo
E a brincadeira continua,
A vida na sua volúpia, em uma dança sensual;
Mostra o outro lado; o casual, o factual,
Com outras facetas, outros caminhos ou possibilidades;
Apenas outros sonhos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Palavras Sujas

Poema de Tarso correa

PALAVRAS SUJAS


A gosma grossa e purulenta,
Que escorre por tua boca,
Como um esgoto a lavar o beco fétido,
São palavras jogadas ao vento,
Como promessas ocas e barrentas.
Vives de enganar o analfabeto, o pobre ignorante,
Que quer confiar, para poder simplesmente sonhar;
Pobre coitado vive uma utopia, uma escravidão,
Dom Quixote urbano, farrapo de pano;
A viver na discriminação, sem leito, uma escola e um pedaço de pão.
Você que faz promessas vãs,
A tua boca fede A tua alma é podre e teu corpo me pertence;
O tempo é finito
Não haverá perdão nem mora;
Serei lento, sem razão nem sentimentos;
Comerei tuas entranhas, tua boca e tuas promessas,
Palavra por palavra daquilo que foi dito;
Sou o futuro que te espera,
Sou o verme que apagará teus sonhos, teus passos, tua vida desta esfera.
Sou o fim, o nada, o caos,
Todas as estações e o último dia de tua primavera.
Tua boca fede.

LADAINHA DO SERTÃO

LADAINHA DO SERTÃO - poema de Tarso Correa A terra rachada, Como a sola dos meus pés, A alma magoada, amarrada, Engaiolada igual passar...