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segunda-feira, 21 de abril de 2014


Poema de Tarso Correa




A minha pele é negra,
A tua alma é negra,
A minha alma é branca,
Branco é o teu sorriso de escárnio.
Meus sonhos são coloridos,
Seu caminhar é sofrido;
Meus pés levitam sobre a trilha que deixas,
De colágenos de pruridos.
A tua indiferença, é indiferente
É ausente no meu presente;
Não te sinto, não te pressinto.
Rastejas na tua pequenez,
Na ilusão da embriaguez do teu preconceito,
Cavas teu leito, tua tumba.
Pobre alma afogada na mesquinharia,
De tua própria agonia.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

correntes de ácido

Poema de Tarso Correa


Correntes de Ácido


Nas esquinas da madrugada,
Escondidos nas sombras da sociedade,
Nas curvas da hipocrisia,
Sob a luz amarela dos pelourinhos,
Criaturas da noite metamorfoseadas,
Desnudam suas almas peladas.
São dores contidas,
Salgadas pela maresia dos falsos carinhos;
Segredos engolidos, tragados,
Lavados por lágrimas secas.
Vida amarrada, apequenada, atalhada.
Rostos pintados, cores fortes, a esconder o olhar triste,
A marcar o caminho não seguido.
A constante presença da morte.
O corpo a venda, denegrido, puído,
Perdido nas dobras do relógio.
A alma sangrando, rasgando,
Dois seres em um, perdidos a se distanciar;
Buscando a afirmação, o necrológio;
Mas, só o que lhe resta, nada mais que a solidão,
Nem sentimentos ou razão,
Só o vazio, o frio da noite,
O açoite da indiferença,
A concretude da sentença.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

castidade puida


Poema de Tarso Corrêa



Castidade puida


O gosto frio do metal da navalha,
Deixa na boca o amargo sutil da presença da morte,
O talho, o corte;
É a inocência que tomba,
Deixando para traz o cadáver dos sonhos,
Caído na lama podre da cruel verdade;
O sangue quente da ingenuidade escorre e talha,
Nas impurezas do concreto que lhe consome.
É a fome,
É o medo,
A marginalização, o degredo.
A pipa dos encantos cortada pelo cerol letal,
É engolida pelas bocas do vento mortal,
Deixando ânsia do vômito
Regurgitado pelo gosto do etanol da realidade.
Resta um vago lampejo da pureza,
Que lá do fundo, buscando o ar mais puro,
Recusa a verdade despida,
Sugando o seio da fantasia perdida.
Não tem mais jeito, é apenas o fibrilar, o recusar a aceitar,
O pesadelo, a desenrolar como um novelo,
Da promiscuidade humana,
A materializar-se em atitudes insanas.
É o fim, a despedida, um bater de asas da inocência,
Que se apagou sem clemência.

domingo, 6 de abril de 2014

Pés tortos

Poema de Tarso Correa



Pés tortos


O menino da periferia,
Conseguiu o que queria,
Sobrevivendo aos preconceitos,
Com sua carapinha oxigenada.
Driblou a vida,
Entortou os nãos,
Usou os pés e não as mãos,
Incorporou o sonho,
Concretou o passado,
A fome, as drogas e a morte.
Abriu a porta encarou a sorte,
Deixou a página virada;
Só quer o presente,futuro e uma loura oxigenada.
Tem o verbo nulo,
O pensamento travado;
Nos pés a magia, que contagia;
O que importa são seus dribles delirantes.
Para ele, a mídia nauseante,
Cordão de ouro, carro importado, dinheiro e fama.
Quer tudo e não vê nada.
Virou um deus degenerado,
Não amado, invejado, temido, querido por um tempo limitado.
Quer tudo e não vê nada.

Verdades Puídas

Verdades Puídas - poema de Tarso Correa A verdade é um pouco das mentiras que nos contam! Várias incorporei por comodidade, Outras por i...