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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Lágrimas secas - Poema de Tarso Correa

Lágrimas secas


Nas areias da ampulheta,
Que escorre pelo compasso da vida,
Sangramos sonhos não realizados ou esquecidos nas curvas do tempo;
Largamos as mágoas pelas sarjetas,
Dissolvemos o gosto acre da acidez do formicida,
Para não termos que reviver a dor mais doída;
Colecionamos mazelas curadas nas noites mais escuras, banhadas pelo relento,
Morremos a cada desculpa mal dada ou não falada,
Deixada, esquecida nas insônias do leito,
Lavada pelo suor do orgulho engolido no aperto do peito,
Pela lágrima não derramada, contida, sofrida dos nossos desacertos.

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